3 1EU sou aquele homem que viu a aflição pela vara do seu furor. 2Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz. 3Deveras fez virar e revirar a sua mão contra mim o dia todo. 4Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrou os meus ossos. 5Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho. 6Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito. 7Cercou-me de uma sebe, e não posso sair; agravou os meus grilhões. 8Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração. 9Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas. 10Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. 12Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha. 13Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava. 14Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção todo o dia. 15Fartou-me de amarguras, embriagou-me de absinto. 16Quebrou com cascalho os meus dentes, abaixou-me na cinza. 17E afastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem. 18Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no SENHOR. 19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel. 20Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim. 21Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. 22As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele. 25Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. 28Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. 29Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta. 31Pois o Senhor não rejeitará para sempre. 32Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens. 34Pisar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra, 35Perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo; 36Subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor? 37Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? 38Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? 39De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. 40Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o SENHOR. 41Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus, dizendo: 42Nós transgredimos, e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste. 43Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste. 44Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos. 46Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47Temor e laço vieram sobre nós, assolação e destruição. 48Torrentes de água derramaram os meus olhos, por causa da destruição da filha do meu povo. 49Os meus olhos choram, e não cessam, porque não há descanso, 50Até que o SENHOR atente e veja desde os céus. 51Os meus olhos entristecem a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade. 52Como ave me caçam os que, sem causa, são meus inimigos. 53Cortaram-me a vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim. 54Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. 55Invoquei o teu nome, SENHOR, desde a mais profunda masmorra. 56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas. 58Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma, remiste a minha vida. 59Viste, SENHOR, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. 60Viste toda a sua vingança, todos os seus pensamentos contra mim. 61Ouviste a sua afronta, SENHOR, todos os seus pensamentos contra mim, 62Os lábios dos que se levantam contra mim e os seus desígnios me são contrários todo o dia. 63Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua música. 64Tu lhes darás recompensa, SENHOR, conforme a obra das suas mãos. 65Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles. 66Na tua ira os perseguirás, e os destruirás de debaixo dos céus do SENHOR.
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